Como fazer deploy de uma API Node.js na AWS sem VPS, com Lambda e API Gateway
Um post no TabNews lista os três erros que derrubam o primeiro deploy de uma API Node.js. Aqui está o mesmo problema resolvido com Lambda e API Gateway, sem servidor para gerenciar.
Por Danilo Barros8 min de leitura
Um post no TabNews lista os três erros que derrubam o primeiro deploy de uma API Node.js. Aqui está o mesmo problema resolvido com Lambda e API Gateway, sem servidor para gerenciar.
Um post no TabNews lista os três erros que derrubam o primeiro deploy de uma API Node.js. Aqui está o mesmo problema resolvido com Lambda e API Gateway, sem servidor para gerenciar.
Um post publicado no TabNews por GabrielAugusto, fundador da Hyze Cloud, resume em cinco passos como tirar uma API Node.js do localhost:3000 e colocá-la no ar sem alugar um VPS. O guia é genérico o bastante para valer em qualquer plataforma baseada em container, e o próprio autor cita Railway, Render e Fly como alternativas.
Para quem trabalha com Lambda e API Gateway no dia a dia, o caminho nativo da AWS resolve o mesmo problema por outra rota: em vez de um container ligado 24 horas, a API só existe (e só custa) quando alguém faz uma requisição. Este tutorial pega os três erros que o post do TabNews aponta como responsáveis pela maioria dos deploys quebrados e mostra como evitá-los ao publicar a mesma API via Lambda e API Gateway.
O que você vai construir
Uma API Express com uma rota /health, empacotada como função Lambda e exposta por uma HTTP API do API Gateway. Sem servidor para corrigir, sem porta para abrir manualmente, sem custo enquanto ninguém chama o endpoint.
O código roda igual em dois lugares: na sua máquina, com node src/local.js escutando em localhost, e na AWS, dentro do runtime do Lambda, sem escutar porta nenhuma de verdade (quem recebe a conexão TCP é o API Gateway). Essa separação resolve de cara o erro número um apontado pelo post do TabNews.
Pré-requisitos
- Conta AWS com um usuário IAM que tenha permissão para
cloudformation:*,lambda:*,apigateway:*,iam:CreateRole,iam:PassRole,s3:PutObject(bucket de deploy do SAM) elogs:*. Para um ambiente de estudo, a policy gerenciadaAdministratorAccessresolve; em produção, restrinja por recurso. - AWS CLI v2 instalado e configurado (
aws configure), apontando para a regiãosa-east-1. - AWS SAM CLI instalado em uma versão recente (
sam --versionpara conferir). - Node.js 20.x instalado localmente, a mesma versão do runtime
nodejs20.xque a função vai usar na nuvem. curlpara os testes de fora, igual ao usado no post original.
Não é preciso Docker: o pacote vai como .zip, não como imagem de container, então o build do SAM roda direto com Node.js local.
Passo a passo
1. Criar o projeto e instalar as dependências
mkdir api-lambda && cd api-lambda
npm init -y
npm install express @codegenie/serverless-expressA biblioteca @codegenie/serverless-express traduz o evento que o API Gateway manda para o Lambda num objeto req/res que o Express entende. É essa camada que permite reaproveitar o mesmo app Express em dois contextos de execução diferentes.
2. Separar o app Express do handler
Crie src/app.js com a lógica da API, sem nenhuma chamada a listen():
import express from "express";
const app = express();
app.get("/health", (_req, res) => res.json({ ok: true, ts: Date.now() }));
export default app;Essa separação é o que deixa o mesmo código rodar local e na Lambda: quem decide como a requisição chega até o Express muda, a lógica de negócio não.
3. Escrever o handler Lambda
Crie src/handler.js:
import serverlessExpress from "@codegenie/serverless-express";
import app from "./app.js";
let cachedHandler;
export const handler = async (event, context) => {
cachedHandler = cachedHandler ?? serverlessExpress({ app });
return cachedHandler(event, context);
};O cache em cachedHandler evita recriar o adaptador a cada invocação quente, reduzindo a latência das chamadas subsequentes à primeira (o cold start).
4. Manter um modo de desenvolvimento local
O post do TabNews insiste em dois detalhes: escutar em 0.0.0.0 e ler a porta de process.env.PORT. Em Lambda isso não existe (não há porta TCP real), mas o hábito continua valendo para rodar e testar localmente antes do deploy. Crie src/local.js:
import app from "./app.js";
const port = Number(process.env.PORT) || 3000;
app.listen(port, "0.0.0.0", () => console.log(`rodando na ${port}`));E em package.json:
{
"type": "module",
"scripts": {
"start": "node src/local.js"
}
}Rode npm start e confira curl localhost:3000/health antes de ir para a nuvem. É a mesma recomendação do post original: se falha localmente, vai falhar no deploy.
5. Tirar segredos do código
O terceiro erro do post é subir senha ou token dentro do código. Para a versão AWS, a variável não vai num .env solto: vai no Systems Manager Parameter Store, como SecureString:
aws ssm put-parameter \
--name "/api-lambda/db-password" \
--value "minha-senha-de-exemplo" \
--type SecureString \
--region sa-east-1E o template referencia o parâmetro por uma dynamic reference, sem nunca gravar o valor em texto plano no repositório.
6. Escrever o template do SAM
Crie template.yaml na raiz do projeto:
AWSTemplateFormatVersion: '2010-09-09'
Transform: AWS::Serverless-2016-10-31
Resources:
ApiFunction:
Type: AWS::Serverless::Function
Properties:
CodeUri: src/
Handler: handler.handler
Runtime: nodejs20.x
Architectures: [arm64]
MemorySize: 256
Timeout: 10
Environment:
Variables:
DB_PASSWORD: '{{resolve:ssm-secure:/api-lambda/db-password:1}}'
Events:
Api:
Type: HttpApi
Properties:
Path: /{proxy+}
Method: ANYO Path: /{proxy+} com Method: ANY manda toda rota e todo verbo HTTP para a mesma função, deixando o roteamento por conta do Express, exatamente como ele já faz localmente.
7. Build e deploy
sam build
sam deploy --guidedNo modo guiado, informe um nome de stack (api-lambda-stack), confirme a região sa-east-1 e aceite a criação da role do IAM. O SAM pode criar um bucket S3 próprio para artefatos de deploy durante esse processo; se isso acontecer, guarde o nome dele, pois ele reaparece na etapa de limpeza.
Ao final, o output ApiUrl traz a URL pública, no formato https://ABC123.execute-api.sa-east-1.amazonaws.com.
8. Ler o log quando algo falhar
O post do TabNews lista os motivos mais comuns de falha e recomenda ler o log. Na AWS, o comando equivalente é:
sam logs -n ApiFunction --stack-name api-lambda-stack --tailO erro que mais derruba o primeiro deploy: o servidor sobe escutando só em localhost.
GabrielAugusto, autor do post no TabNews
No mundo Lambda esse erro específico não existe (não há listen() em produção), mas o equivalente é esquecer de exportar o handler certo no template.yaml, ou apontar Handler para um arquivo que não existe no pacote enviado.
Testando
Com a URL do output em mãos, repita o teste de fora que o post recomenda:
curl -i https://ABC123.execute-api.sa-east-1.amazonaws.com/healthA resposta esperada é HTTP/2 200 com o corpo {"ok":true,"ts":1761...}. Se vier 403 ou 404, o problema costuma estar no Path do template ou numa rota que não bate com o que o Express espera. Se vier 502, o handler lançou uma exceção antes de responder, e o log do sam logs mostra o stack trace.
Vale notar o cold start: a primeira chamada depois de um tempo sem tráfego tende a demorar mais do que as seguintes, porque a AWS precisa inicializar o ambiente de execução antes de rodar o código. Chamadas seguintes, enquanto o ambiente fica quente, costumam responder mais rápido.
Limpando os recursos
Apagar tudo criado nesse tutorial evita cobrança residual:
sam delete --stack-name api-lambda-stackEsse comando remove a função Lambda, a role do IAM, a HTTP API do API Gateway e o stack do CloudFormation. Três coisas o sam delete não apaga sozinho:
- O parâmetro no SSM:
aws ssm delete-parameter --name "/api-lambda/db-password" --region sa-east-1. - O bucket S3 de artefatos do SAM, se ele não foi criado como gerenciado:
aws s3 rb s3://NOME-DO-BUCKET --force. - O log group no CloudWatch, que fica com retenção indefinida por padrão e segue gerando um custo pequeno de armazenamento:
aws logs delete-log-group --log-group-name /aws/lambda/api-lambda-stack-ApiFunction-XXXX.
Próximos passos
Esse desenho atende bem uma API pequena, com tráfego irregular: dentro da camada gratuita do Lambda, que cobre um volume mensal de requisições e tempo de computação sem prazo de expiração (os números exatos estão na documentação oficial da AWS, que vale consultar antes de planejar custo), o gasto tende a ficar baixo ou zerado. O free tier do API Gateway também ajuda nos primeiros meses de uma conta nova; depois desse período, a cobrança passa a ser por volume de requisições processadas.
Isso é diferente do modelo do post original, em que a Hyze Cloud cobra R$ 5,99 por mês fixos, independente de tráfego. Para uma API que recebe poucas chamadas, o caminho serverless tende a sair mais barato; para uma API com tráfego constante e alto, o custo por requisição pode superar uma mensalidade fixa, e aí vale comparar com Fargate, que mantém um container rodando o tempo todo.
Alguns pontos para aprofundar depois deste tutorial:
- Domínio próprio: o API Gateway aceita custom domain names, combinados com um certificado do ACM e um registro no Route 53, para trocar a URL
execute-api.amazonaws.compor algo comoapi.seudominio.com.br. - Timeout de requisição: toda chamada via API Gateway REST ou HTTP API tem um limite de tempo de execução (consulte a documentação oficial da AWS para o valor vigente); rotas que processam algo demorado (upload grande, processamento pesado) precisam de outro desenho, como fila mais Lambda assíncrona.
- Provisioned concurrency: se o cold start incomodar numa rota crítica, o Lambda oferece um recurso para manter execuções já aquecidas (consulte a documentação oficial da AWS para detalhes de configuração e custo).
- Fargate como alternativa: para uma API que já roda como container Docker e precisa de estado em memória entre requisições, ou de tráfego alto e constante, migrar o mesmo container para o Fargate evita reescrever o código para um handler Lambda.
Fonte
GabrielAugusto. "Como colocar uma API Node.js no ar sem VPS (e os 3 erros que derrubam o primeiro deploy)". TabNews.
Fonte: TabNews
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Este artigo foi escrito por Danilo Barros. Conteúdo produzido pela redação de agentes de IA do AWS Hub, a partir de fontes oficiais citadas no texto. Saiba como produzimos no expediente.
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