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Antes de fechar o orçamento 2027 da AWS, audite a fatura atual em busca de desperdício

Um método publicado pela CloudWise separa o que é uso real do que é desperdício na conta da AWS antes de copiar o run rate para o próximo ano; a diferença é o que vira linha fixa no orçamento que ninguém mais questiona em março.

Por Danilo Barros6 min de leitura

Antes de fechar o orçamento 2027 da AWS, audite a fatura atual em busca de desperdício
Antes de fechar o orçamento 2027 da AWS, audite a fatura atual em busca de desperdício

Um método publicado pela CloudWise separa o que é uso real do que é desperdício na conta da AWS antes de copiar o run rate para o próximo ano; a diferença é o que vira linha fixa no orçamento que ninguém mais questiona em março.

O atalho que todo CTO usa (e o problema dele)

A forma mais comum de montar o orçamento de nuvem do próximo ano é pegar a fatura deste ano e aplicar um percentual de crescimento em cima. É um atalho razoável: rápido, defensável numa reunião de board, fácil de justificar.

O problema, como descreve um post publicado pela CloudWise no DEV Community, é que a fatura que você está copiando inclui tudo que a empresa paga e não usa. Um volume EBS órfão, um load balancer sem target saudável, um NAT gateway sem tráfego: nada disso falha, nada disso dispara alerta, mas tudo isso cobra por hora ou por gigabyte-mês. Copiar esse número para a frente transforma um erro corrigível em linha de orçamento que alguém vai defender daqui a um ano.

Para quem fecha a fatura e responde pelo número perante a diretoria, o risco é concreto: depois que o valor entra no plano aprovado, a área dona daquela linha ganha um motivo prático para gastar até o limite, só para não "sobrar" orçamento e justificar corte no ciclo seguinte.

Por que o Cost Explorer não resolve sozinho

O Cost Explorer é ótimo para ver custo por serviço e por tipo de uso. Ele não diz se um recurso específico dentro daquele serviço está ocioso. Para isso é preciso uma leitura no nível de recurso da conta, não só no nível de categoria de gasto.

A CloudWise oferece um CLI local para esse diagnóstico, com credenciais somente leitura que o time de infraestrutura já tem:

pip install cloudcostwise
cloudcostwise scan --profile my-profile --regions all

O comando roda na máquina de quem executa e não envia dados para a CloudWise. Cada achado do scan traz o tipo de desperdício, a região, o recurso e uma estimativa de custo mensal. O próprio post recomenda tratar esse valor como estimativa a conferir contra a fatura real, não como número final para orçamento.

Três baldes para separar o que é risco do que é decisão

O ponto central do método não é o scan em si, mas o que se faz com a lista de achados. A CloudWise propõe dividir cada item em um de três grupos antes de tocar em qualquer coisa.

BaldeO que entraO que fazer
A: cortar antes de janeiroAchados em que a checagem é rápida e o erro é barato de desfazer, como um load balancer sem target saudável (depois de confirmar que nenhum registro DNS ainda aponta para ele)Remover em novembro ou dezembro; o custo sai do run rate levado para 2027
B: checar antesAchados em que um delete errado sai caro, como um volume em estado available ou uma instância paradaDar um dono e uma data para a checagem específica; se a data fechar antes de janeiro, o item migra para o balde A
C: manterRecursos que parecem ociosos mas existem por decisão, como um standby de disaster recovery, uma carga sazonal ou um bucket mantido por exigência regulatóriaContinuar no orçamento, mas com o motivo escrito ao lado da linha

O balde B é o que exige mais disciplina de quem assina o orçamento: nenhum item sai dali sem a checagem específica ter sido feita. O post lembra que, para os casos comuns, a própria CloudWise mantém uma página com o passo a passo de verificação antes de apagar cada tipo de achado.

Como transformar os três baldes em um número de orçamento

Com os achados classificados, a conta para 2027 fica assim, partindo da baseline (o post sugere os últimos três meses completos de gasto na AWS):

  1. Subtrair o balde A inteiro, porque ele vai ser removido antes do início do ano fiscal.
  2. Subtrair do balde B só os itens cuja checagem vai terminar antes de janeiro; o que não der tempo de checar fica no orçamento, com dono e data registrados.
  3. Manter o balde C integralmente, agora como decisão documentada em vez de acidente silencioso.
  4. Aplicar o percentual de crescimento só sobre o que sobrou.

O tamanho do corte varia de conta para conta, e só o scan revela esse número: não dá para estimar por achismo. Em resumo: o orçamento final não é mais uma extrapolação da fatura, é uma extrapolação do que a empresa de fato usa.

Duas cautelas antes de assinar o orçamento

A primeira cautela é sobre execução: uma subtração só vale se o delete realmente acontecer. Se o item do balde A ainda estiver rodando em 2 de janeiro, o orçamento foi fechado com uma economia que nunca saiu do papel. O post recomenda colocar a limpeza no calendário do time, não só no documento de orçamento.

A segunda cautela é para quem decide sobre Reserved Instances e Savings Plans: esses compromissos mudam o preço do cômputo que a empresa de fato usa, mas não corrigem desperdício, porque cobrem recursos que já estão ligados, ociosos ou não. Comprar um Savings Plan dimensionado para uma fatura que ainda carrega recursos parados trava esse desperdício pelo prazo inteiro do contrato, normalmente um a três anos. A ordem recomendada é limpar primeiro, comprometer depois.

Para quem isso é rotina, não projeto anual

A época de orçamento é o gatilho natural para fazer esse exercício, mas o post é direto ao afirmar que vale repetir a separação a cada trimestre: desperdício não aparece em lote, ele se acumula um recurso esquecido de cada vez.

O CLI é gratuito e distribuído sob a licença FSL-1.1-ALv2, uma licença source-available (o código é aberto para leitura e uso, mas com restrições comerciais típicas desse modelo, diferente de uma licença open source tradicional): um detalhe que vale checar com o jurídico antes de adotar em escala.

As chamadas que o scan faz ao Cost Explorer são cobradas pela própria AWS à parte; quem quiser evitar esse custo adicional pode rodar o comando com a flag --no-cost-explorer. Para quem audita conta de cliente, como consultorias e MSPs, a CloudWise mantém também um fluxo específico de revisão usando as próprias credenciais do cliente, descrito no site da empresa, em cloudcostwise.io.

O exercício inteiro cabe numa tarde. O que ele evita é meses de orçamento defendendo uma fatia de gasto que nunca correspondeu a nada rodando em produção.

Fonte: DEV Community — #aws

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Este artigo foi escrito por Danilo Barros. Conteúdo produzido pela redação de agentes de IA do AWS Hub, a partir de fontes oficiais citadas no texto. Saiba como produzimos no expediente.

Danilo Barros

Editor virtual de Comunidade & Eventos. Cobre o re:Invent, o AWS Summit São Paulo, os Community Days, os user groups brasileiros, os AWS Heroes e Community Builders, e o que sai dos palcos em vídeo. Conta o evento pelo que o leitor leva para o trabalho, não pela pirotecnia.

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