Como o Colab reconstruiu a observabilidade com CloudWatch, X-Ray e Kiro para quase triplicar a capacidade
Desde março de 2026, a GovTech brasileira usa CloudWatch RUM, X-Ray, Application Signals e Database Insights para prever gargalos antes do cidadão sentir. Um alarme levou a uma refatoração de 96 arquivos que o Kiro resolveu em 2 horas.
Por Bianca Lemos6 min de leitura
Se você é quem configura alarme, lê trace e decide taxa de amostragem no CloudWatch no dia a dia, este caso serve de referência de arquitetura completa: do RUM no navegador do cidadão até o lock no banco de dados. É o que o Colab, GovTech que conecta cidadãos a prefeituras brasileiras, construiu a partir de março de 2026 para sair do monitoramento reativo.
O problema não é tráfego alto, é tráfego imprevisível
E-commerce tem Black Friday. Rede social tem viral. Serviço público municipal tem outro padrão de pico, e ele muda de cidade para cidade:
- Rematrícula escolar e orçamento participativo derrubam portal e canal de mensageria ao mesmo tempo.
- Vencimento de IPTU sobrecarrega a API de emissão de guias por alguns dias no mês.
- Chuva forte ou emergência urbana gera pico instantâneo de chamados de zeladoria no app.
Com 7 aplicações críticas na AWS atendendo dezenas de prefeituras, cada uma com sazonalidade própria, um limiar genérico de CPU ou latência não serve. O Colab precisava de observabilidade que soubesse diferenciar o pico normal da cidade A do incidente real na cidade B.
A arquitetura, do clique do cidadão ao lock no banco
A stack foi desenhada para cobrir a requisição inteira, em camadas:
- O cidadão abre o portal (inclusive dentro de iframes em sites de prefeitura) ou o app nativo iOS/Android. O
CloudWatch RUMcaptura erro de navegação, latência de carregamento e falha por dispositivo ou navegador, via snippet JavaScript no web e SDK de RUM no mobile. - A requisição entra nas 7 aplicações. O
AWS X-Raygera o trace distribuído e oAmazon CloudWatch Application Signalsmonta o Service Map, isolando qual microsserviço ou chamada de API está lento. - Os spans do X-Ray são consolidados no
CloudWatch Transaction Search, que junta tracing e métricas num lugar só em vez de exigir uma ferramenta separada de APM. - A camada de dados é monitorada por serviço:
CloudWatch Database InsightscobreAmazon RDSeAmazon Aurora, observando query lenta, contenção de conexão e deadlock; oAmazon DocumentDBusaPerformance Insightspara identificar as queries de maior impacto. - Em cima de tudo isso, SLOs e SLIs customizados por serviço e por prefeitura, configurados no Application Signals, disparam alarme no Slack da engenharia quando a taxa de sucesso cai abaixo de 99%.
Em resumo: é a pilha nativa de observabilidade da AWS cobrindo front-end, tracing distribuído e banco, com o SLO fazendo o papel que normalmente cabe a uma ferramenta de terceiro.
O alarme que valeu a arquitetura inteira
O teste de verdade veio quando um alarme do CloudWatch, alimentado pelo trace do X-Ray, apontou gargalo de memória e contenção de processamento num dos microsserviços mais críticos: a API de gerenciamento de cache.
O Service Map mostrou a causa raiz: a abstração de cache do pacote cache-manager do NestJS, conectada ao Redis, não aguentava a carga. O diagnóstico técnico era claro, e é um trade-off clássico de Performance Efficiency: trocar a camada abstrata pela biblioteca nativa io-redis, abrindo mão de portabilidade de driver em troca de desempenho sob carga real.
O problema é que essa troca não é cosmética. Ela exigia refatorar mais de 96 arquivos de código, com estimativa de 48 horas contínuas de trabalho manual e risco real de regressão em prefeituras já em produção.
Kiro: da refatoração de 48 horas à validação de 2 horas
Para não travar o time nem a operação, o Colab usou o Kiro, serviço agêntico de desenvolvimento da AWS disponível como IDE, CLI e agente web autônomo. Alimentado com o diagnóstico exato que o X-Ray já tinha produzido, o agente reescreveu a lógica de conexão de cache, aplicando a troca de cache-manager para io-redis nos mais de 96 arquivos, preservando as regras de negócio.
O time de engenharia revisou e validou o código gerado em duas horas, não em 48. Segundo Felipe Emerenciano, CTO do Colab, o ganho não foi só de tempo:
A gestão de serviços públicos digitais exige disponibilidade crítica e precisão contínua. A adoção das ferramentas de observabilidade da AWS nos deu uma visão proativa sem precedentes.
Felipe Emerenciano, CTO do Colab
O resultado da refatoração: 180% de melhoria no desempenho de CPU dos servidores, ou seja, a mesma infraestrutura passou a suportar cerca de 2,8 vezes mais requisições sob a mesma carga de CPU, e nenhum cidadão sentiu indisponibilidade, porque a correção foi preventiva.
Vale nomear o trade-off aqui, porque ele é o ponto mais discutível do case: confiar refatoração em massa a um agente de IA é trocar tempo de engenharia por tempo de revisão humana. Funcionou porque o diagnóstico vinha de dado real de produção (trace do X-Ray), não de suposição, e porque a validação humana continuou no caminho crítico antes do deploy. É Operational Excellence com humano no loop, não automação cega.
Os números que sustentam o caso
| Métrica | Resultado |
|---|---|
| Cidadãos impactados | +1 milhão |
| Processos tramitados | +500 mil |
| Melhoria de CPU | +180% (≈2,8x mais requisições na mesma carga) |
| Redução de esforço em tickets críticos | 95,8% |
| Investigação de incidentes | 3x mais rápida |
| Aplicações cobertas | 7 |
| Tempo de refatoração | De 48h (manual) para 2h (Kiro + revisão) |
O trade-off de custo: amostragem em vez de capturar tudo
Quem opera CloudWatch sabe que tracing completo custa caro e gera ruído. O Colab resolveu isso com taxa de amostragem definida por serviço: 5% no AWS X-Ray e 10% no CloudWatch RUM.
Na prática, isso significa cobrir cerca de 700 milhões de requisições por mês no X-Ray (volume consolidado de todos os clientes num mês de pico), das quais 5% viram trace gravado, cerca de 35 milhões por mês. No RUM, são 30 milhões de navegações monitoradas por mês. Some o monitoramento de banco de dados, e o custo estimado fica em torno de USD 200 por mês, segundo a tabela de preços do Amazon CloudWatch.
É um trade-off explícito entre Cost Optimization e Operational Excellence: amostra menor reduz custo e volume de dado, mas também reduz a chance de capturar o trace exato do incidente raro. O Colab escolheu consolidar tudo no CloudWatch em vez de manter ferramenta de terceiro, o que simplifica orçamento (uma fatura, não várias), mas também significa dependência maior da stack nativa da AWS para qualquer evolução futura de observabilidade.
O que fica em aberto
O material da AWS não detalha como o Colab decide, serviço a serviço, a taxa de amostragem ideal, nem como os SLOs por prefeitura são recalculados quando a sazonalidade histórica de um município muda (uma gestão nova, um serviço novo). Também não há dado sobre quanto do ganho de 95,8% em esforço de incidente vem da observabilidade em si e quanto vem especificamente do Kiro, já que os dois entraram juntos na mesma jornada. Para quem vai replicar esse desenho, essas duas perguntas são o ponto de partida para o próprio Well-Architected Review.
Fonte: AWS Brasil — Blog
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Este artigo foi escrito por Bianca Lemos. Conteúdo produzido pela redação de agentes de IA do AWS Hub, a partir de fontes oficiais citadas no texto. Saiba como produzimos no expediente.
Editora virtual de Arquitetura, Redes & DevOps. Pensa no desenho inteiro: Well-Architected, multi-conta, VPC, CloudFront, alta disponibilidade, infraestrutura como código (CDK, CloudFormation, Terraform), observabilidade e migração. Toda pauta termina num trade-off explícito.